THC: tudo sobre o canabinoide mais conhecido

Durante séculos (milênios, na verdade), o ser humano cultivou cannabis e foi selecionando as melhores plantas para produzir as sementes que serão utilizadas na próxima colheita. Ao longo deste longíssimo processo de seleção, e com o objetivo de obter melhores plantas para sua aplicação em âmbitos tão diversos como o medicinal, o espiritual ou o recreativo, a característica de uma alta quantidade de THC foi se fixando geração após geração, conseguindo-se variedades com alto poder psicoativo.
Esta seleção para plantas ricas em THC aumentou consideravelmente a partir dos anos 70 do século passado, quando modernas técnicas de cultivo e breeding se concentraram em obter cepas com um conteúdo ainda maior deste canabinoide, sendo normal que hoje em dia as variedades de cannabis dupliquem ou até tripliquem o seu conteúdo em THC em relação às de meio século atrás. Mas...o que é exatamente o THC? Onde é produzido e como? Quais são os seus principais efeitos sobre o nosso organismo? Hoje respondemos a todas essas perguntas, e a muitas mais!

Estrutura química do THC
Estrutura química do THC

O que é o THC ou tetrahidrocanabinol?

O THC — às vezes chamado de delta-9-THC ou tetrahidrocanabinol — é o principal componente psicoativo da planta de cannabis, embora o conteúdo de THC de cada planta possa variar enormemente de uma variedade para outra. Podem ser encontradas variedades de cânhamo com um conteúdo em THC irrisório (inferior a 0,2% em muitas variedades comerciais), embora também existam variedades especialmente ricas em THC que podem chegar a quase 30%. E dentro deste intervalo, existem inúmeras variedades tanto de cânhamo (utilizado em diversas indústrias) quanto de cannabis narcótica, com conteúdos muito díspares entre si, especialmente entre estas últimas.
Em linhas gerais, e como veremos com mais detalhe, pode-se dizer que o THC é o responsável pelo efeito psicoativo da maconha sobre as pessoas; do barato, do chapado, da viagem...chame como quiser. Foi isolado em laboratório pela primeira vez pelo professor israelense Raphael Mechoulam, Habib Edery e Yechiel Gaoni em 1964, e desde então a pesquisa sobre este interessante composto não cessou, desde o estudo das suas rotas de síntese até o dos seus efeitos sobre os receptores canabinoides do seu corpo.

Onde é produzido o THC?

As plantas de cannabis produzem o que costuma ser chamado de "resina" em suas flores e folhas próximas a estas. Na verdade, esta resina é formada por centenas de tricomas de diferentes tipos que cobrem os cálices das flores e as folhas que crescem junto a estas, formando uma camada branca sobre o tecido vegetal. Vistos com um microscópio, estes tricomas variam em formas e tamanhos, desde alguns parecidos com pelos até outros que se assemelham aos famosos "pirulitos". Pois bem, é nestes últimos, nos tricomas glandulares, que o THC é produzido e armazenado ao longo da floração da planta.

Nesta imagem você pode ver um grande número de tricomas glandulares, a maioria deles com a cabeça de cor leitosa
Nesta imagem você pode ver um grande número de tricomas glandulares sobre uma folha, a maioria deles com a cabeça de cor leitosa

À medida que esta maravilhosa etapa avança, mais e mais glândulas de resina (tricomas glandulares) são produzidos pela planta, tricomas que atuam como autênticas fábricas dedicadas à fabricação de canabinoides, terpenos e outros compostos que irão sendo armazenados em suas cabeças glandulares. É por este motivo que se olharmos estes tricomas com uma lupa ou microscópio, veremos como vão mudando de cor ao longo da floração, passando de translúcidos a leitosos e terminando com uma bela cor âmbar; à medida que vão se enchendo de compostos, vão mudando seu aspecto e tornando-se mais opacos.
Observar a cor dos tricomas é, como você já deve saber, a principal maneira de estabelecer a data da colheita da cannabis, o ponto de máximo conteúdo em canabinoides e terpenos alcançado pela planta antes que estes comecem a se degradar.
https://www.philosopherseeds.com/blog/cuando-cosechar-marihuana/

Como é produzido o THC?

A rota de síntese do THC é a mesma que a de outros canabinoides produzidos pela maconha, como o popular CBD ou o CBC. Sabemos que dentro das cabeças ou glândulas dos tricomas existem algumas células em sua base que formam um disco secretor que vai produzindo todas estas substâncias, mas como ocorre exatamente este fenômeno?
Pois se explica pela ação combinada do ácido olivetólico e do pirofosfato de geranila, que após se combinarem e reagirem formam o CBGA ou ácido canabigerólico. No entanto, e à medida que vai sendo produzido mais e mais CBGA, entram em jogo as sintases, enzimas catalisadoras que converterão a maior parte do CBGA em outros compostos com diferentes propriedades. Assim, e por exemplo, ao se combinar o CBGA com a enzima THCA-sintase produz-se THCA ou ácido tetrahidrocanabinólico, o que costuma ser chamado de "forma ácida do THC".

O que é o THCA?

A esta altura, talvez você esteja se perguntando...qual é então a diferença entre THCA e THC? Ou entre CBDA e CBD? Ao ser produzida no interior dos tricomas, o que fica armazenada é a forma ácida de cada canabinoide, com sua estrutura intacta. É a forma "não ativa" destes compostos. No entanto, ao serem aquecidos (algo que provocamos ao fumar ou vaporizar) estes compostos perdem um grupo carboxila (CO2) e se tornam ativos, perdem sua forma ácida, proporcionando os efeitos que os usuários conhecem. A este passo (que também ocorre com o passar do tempo e o contato dos canabinoides com o ar) chama-se descarboxilação, e é indispensável para que o THC ofereça todo o leque de efeitos que é capaz de produzir.

Graças à ação das sintases, o CBGA produz THCA e CBDA. Ao perder um grupo carboxila (CO2), estes se transformam em THC e CBD
Graças à ação das sintases, o CBGA produz THCA e CBDA. Ao perder um grupo carboxila (CO2), estes se transformam em THC e CBD

Assim, e dito de modo coloquial, o THCA seria o THC "em bruto", antes de adquirir a forma com a qual será capaz de estimular nossos receptores canabinoides com toda a sua potência e, por conseguinte, permitindo-nos aproveitar ao máximo suas propriedades tanto medicinais quanto recreativas.

Qual é a função do THC?

A função que o THC desempenha na planta continua sendo um debate aberto até hoje, embora pareça que o motivo principal seja claro: defender a planta frente a fatores externos que possam colocar em risco seu desenvolvimento e reprodução. Uma das teorias mais comumente aceitas por muitos botânicos é que se trataria de um sistema de defesa frente a pragas de insetos ou fungos, embora outros pesquisadores não tenham encontrado relação alguma entre o conteúdo em THC de uma planta e sua resistência a este tipo de ataques externos.
Outra teoria, respaldada por um estudo realizado pela Universidade de Maryland, propõe que, efetivamente, o THC atua como mecanismo de defesa, mas frente aos raios UVB do sol. E é que este estudo sim fornece evidências de que quanto maior a exposição aos raios UVB, maior produção de THC é observada na planta, o que demonstraria que esta produz mais THC para poder se defender da intensidade deste tipo de luz. A pesquisa continua aberta, e com certeza no futuro teremos novos estudos disponíveis.

Quais efeitos tem o THC sobre o organismo?

Em linhas gerais, podemos dividir o tipo de efeitos que o THC causa sobre nosso corpo em dois grandes grupos: aqueles efeitos que possuem um evidente potencial medicinal por um lado, e uma série de efeitos colaterais (que em muitos casos não se produzem) por outro. Ao contrário do que muita gente que associa THC com droga e CBD com medicina acredita, o THC também possui um bom número de interessantes propriedades com potencial terapêutico, embora com o handicap — para alguns — de produzir também efeito psicoativo.
Estas são algumas das propriedades medicinais do THC:

  • Estimula o apetite
  • Efeito antioxidante
  • Efeito anti-inflamatório
  • Efeito antiemético
  • Reduz a dor
  • Reduz a espasticidade
  • Reduz a pressão intraocular

Por outro lado, estes são alguns dos efeitos colaterais do THC que podem ocorrer após o seu consumo:

  • Ansiedade ou paranoia
  • Hipotensão ortostática
  • Taquicardia
  • Boca seca
  • Olhos vermelhos
  • Percepção do tempo alterada
  • Tonturas
  • Sudorese
  • Mudanças de humor
  • Sensação de embriaguez
  • Falta de coordenação
  • Falta de energia
  • Apatia
  • Sonolência
  • Dificuldades de memória

Efeito entourage: não é tudo THC ou CBD

Poderia se pensar que as propriedades medicinais dos diferentes canabinoides e terpenos são algo estático, sem qualquer mudança. No entanto, e já desde que em 1998 Raphael Mechoulam e S. Ben-Shabat cunharam o termo, hoje conhecemos um fenômeno chamado efeito entourage, graças ao qual as moléculas produzidas dentro dos tricomas entram em sinergia, potenciando-se mutuamente e alcançando um novo grau de efetividade que não alcançariam caso se encontrassem isoladas.

THC vs CBD
THC vs CBD

Com certeza nos últimos anos você ouviu ou leu o termo "full spectrum" ou "espectro completo". Pois bem, geralmente se trata de extratos ricos em canabinoides e terpenos formulados desta forma para poder aproveitar este efeito entourage, de maneira que as propriedades dos diferentes compostos sejam potenciadas. Da mesma forma, muitos bancos de sementes oferecem variedades com uma proporção THC:CBD de 1:1, com o mesmo conteúdo em ambos...Uma grande vantagem para o paciente, sem dúvida!

Qual é o limite de THC legal no meu país?

Conhecer o limite legal de THC é algo imprescindível para os cultivadores de cânhamo, que podem ver seu negócio seriamente comprometido caso sejam detectadas plantas que superem este limite. Normalmente, cada país tem seu próprio limite estabelecido em sua jurisprudência, de maneira que é relativamente fácil conhecê-lo com apenas uma pesquisa na internet. Por exemplo, a Comunidade Europeia estabeleceu em seu Regulamento (UE) 2021/2115 um limite de THC de 0,3%, aumentando assim em 0,1% a quantidade de THC que pode conter um cultivo de cânhamo.
Seja como for, caso se queira cultivar tanto plantas de cânhamo quanto plantas ricas em THC, deve-se sempre recorrer às autoridades pertinentes para obter as licenças correspondentes e conhecer todos estes detalhes sobre a atividade a desenvolver. Um erro se paga muito caro, e tendo em conta que os limites são realmente estritos, vale a pena prestar-lhes a devida atenção.
Esperamos ter esclarecido alguma dúvida sobre este interessante canabinoide, que tanta polêmica causou mas que tanto tem a nos dar. Como sempre, estaremos atentos aos seus comentários!
Boas fumaças e vapores!

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